A ansiedade e a sala de aula: medo daquilo que ainda não existe

AFINAL, O QUE É ANSIEDADE?

Em um determinado dia, você está bem, até que inicia o dia pensando naquele problema
que não conseguiu resolver. Você, por hora, pensa nele mas não dá muita atenção. Algum tempo
depois, aquele problema persiste em vir à sua mente, você começa a se preocupar e pensar em
como vai resolvê-lo. O problema começa a ocupar um espaço e tempo considerável em sua
mente, e preocupações começam a aparecer. De repente, você está sentindo formigamentos
estranhos, tontura, o coração começa a ficar acelerado e durante a noite, você não consegue
dormir preocupado com o futuro do que pode vir a acontecer. Quando você se dá conta, está
com um sentimento desagradável de medo geralmente antecipado sobre o problema que ainda
nem ocorreu.

Todo indivíduo já vivenciou situações parecidas e que muitas das vezes acabamos por
interpretar que é só uma “preocupação boba” ou um “medo infundável”, mas segundo Castilo,
Asbahr e Manfro (2000) estes são sintomas claros de ansiedade e que possuem diferenças claras
com relação ao que é ansiedade passageira ou ansiedade de fato – como um possível potencial
patológico –. Segundo os mesmos autores, a maneira mais comum para diferenciar uma da outra
é observar a duração da reação ansiosa, se ela se limita a si própria e se possui algum estímulo
momentâneo ou não.

O CONTEXTO ESCOLAR: PROFESSOR E ALUNO

No contexto escolar, é do conhecimento de todos que docentes e discentes enfrentam
esta situação, os primeiros por estarem com turmas lotadas, conteúdos densos e muitas das
vezes terem alunos desmotivados e ambientes de trabalho tóxicos. Já os segundos, apresentam
inúmeras razões que vão desde dificuldades físicas até expectativas criadas das experiências
vividas por cada um.

Para os professores, vivenciar o ambiente escolar da educação brasileira, é um desafio.
Recentemente, o Juiz Emanuel Holanda reconheceu que a atividade docente possui risco
elevado psicossocial, gerando assim uma condenação a ser recebida pelo professor em torno de
R$30.000,00. (Jusbrasil, 2026). Esta situação demonstra por si só o delicado e tenebroso cenário
enfrentado diariamente pelos profissionais da educação e como eles podem contribuir para o
desenvolvimento de patologias como ansiedade, depressão, dentre outras…

Já com relação aos alunos, segundo Horwitz, Horwitz e Cope (1986), no contexto de sala
de aula de língua estrangeira, eles podem enfrentar três tipos de ansiedade, a primeira se dá
devido a timidez ao se comunicar, a segunda acontece ao realizar determinadas tarefas que soam
como desafiadores ou provas e a terceira é o receio destes resultados – esta última, ligada ao
feedback negativo –.

O QUE TEMOS PARA COMBAER A ANSIEDADE?

A Lei 14.819/24, que institui a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas
Comunidades Escolares, exige que redes públicas e privadas promovam suporte contínuo para a
comunidade acadêmica, incluindo expressamente os professores. Esse é um avanço em uma
questão importante tanto para alunos como profissionais e para que eles possam cuidar melhor
de seu principal material de trabalho, o cérebro e sua psique.

Além da lei, a medicina oferece um amplo campo para tratamento que vão desde
terapias com profissionais qualificados até psiquiatras que podem prescrever medicações
específicas para cada necessidade. Uma das práticas mais divulgadas recentemente são as
práticas de Mindfulness que significa focar a mente no momento presente, tentando esquecer o
passado e o que virá no futuro, observando e mediando seus pensamentos. Em um artigo
publicado pela PUCRS Online mostra 5 dicas necessárias para realizar este método e são elas:

  1. Reserve um horário em que esteja relaxado e livre de interrupções
  2. Escolha uma postura agradável
  3. Controle a sua respiração
  4. Esvazie seus pensamentos
  5. Mantenha o foco na ação realizada

Eles também oferecem um curso com foco neste método com estudos voltados para os
fundamentos e evidências científicas das principais técnicas da mente e do corpo.

CONCLUSÃO

O que devemos entender é que a ansiedade não pode ser considerada algo menor do
que aparenta ser. Caso você venha a se sentir ansioso ou a ter crises, você deve sim procurar
ajuda. Você professor ou aluno, pode sim expor e entender o seu processo com a ajuda de um
profissional e não há nada de errado em assumir para si.

O professor pode conversar com outro colega ou com a direção e também pedir
orientações. Para os alunos, as atividades do bimestre podem incluir palestra e pesquisas sobre
o tema e permitir que os alunos exponham seus medos, afinal, quando nosso receio é
compartilhado e percebido, ele pode ser abraçado e tranquilizado.

Por Edgard Viana de Souza

Referências
Castilo, Asbahr e Manfro (2000)
https://www.scielo.br/j/rbp/a/dz9nS7gtB9pZFY6rkh48CLt/?format-html&lang=pt

Horwitz, Horwitz e Cope (1986) https://repositorio.ufrn.br/server/api/core/bitstreams/54aff86c-9f79-420d-be0c-23682339227a/content

(Jusbrasil, 2026) https://www.jusbrasil.com.br/noticias/juiz-reconhece-atividade-docente-como-de-risco-psicossocial-e-aplica-responsabilidade-objetiva-a-escola/5505687471

(PUCRS online) https://online.pucrs.br/blog/mindfulness

Facebook
LinkedIn
WhatsApp
Email
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *